Qualidade de dados geoespaciais

A qualidade dos dados geoespaciais é um fator essencial para promover confiança e eficiência na relação entre produtores e usuários dessas informações. Quando a qualidade é priorizada, o intercâmbio de dados ocorre de maneira mais alinhada às expectativas, favorecendo a tomada de decisões, a análise espacial e o uso responsável dos recursos disponíveis.

Por isso, o usuário deve estar no centro de todas as iniciativas que envolvam a qualidade dos dados geoespaciais. Compreender suas necessidades permite que os produtos gerados sejam mais adequados ao seu uso, garantindo:

  • Identificação precisa do tipo de informação que cada usuário necessita;
  • Análise de como a informação será utilizada (por exemplo, para geração de relatórios ou como base para novos dados);
  • Disponibilização apenas das informações relevantes e úteis para o público-alvo.

A preocupação com a qualidade deve estar presente em todas as etapas do ciclo de vida dos dados, abrangendo desde a sua concepção até seu uso final. Entre essas etapas, destacam-se:

  • A estrutura dos dados;
  • O conteúdo propriamente dito;
  • Os processos utilizados para sua geração e aplicação;
  • O armazenamento adequado, incluindo a criação de metadados consistentes.

Para assegurar um padrão elevado de qualidade, é necessário implementar boas práticas e processos consistentes, como:

  • Padronização de coleta, processamento, armazenamento e distribuição dos dados;
  • Criação de metadados que documentem origem, formato e características dos dados;
  • Definição de critérios de validação e verificação para garantir confiabilidade e corrigir erros;
  • Organização de documentação formal para registrar metodologias e procedimentos utilizados;
  • Capacitação contínua das equipes envolvidas em todas as fases do processo;
  • Atribuição clara de responsabilidades a cada agente que atua na cadeia de produção e distribuição dos dados.

Por fim, a verificação da qualidade dos dados geoespaciais pode ser realizada por meio de diferentes critérios, como:

  • Representação fiel da realidade (os dados refletem adequadamente, por exemplo, o uso do solo?);
  • Topologia consistente (as geometrias estão livres de erros como cruzamentos ou sobreposições indevidas?);
  • Existência de metadados e documentação que permitam rastrear a origem das informações;
  • Avaliação da utilidade dos dados para os usuários finais;
  • Conformidade com padrões técnicos e normativos que garantem integridade;
  • Acessibilidade dos dados, assegurando que estejam disponíveis e utilizáveis.

As informações apresentadas neste artigo têm como base algumas referências importantes que tratam da qualidade de dados geoespaciais. Esses materiais ajudam a entender como garantir que os dados sejam úteis, confiáveis e bem documentados.

Referências sobre qualidade de dados geoespaciais

IBGE. Avaliação da Qualidade de Dados Geoespaciais. Rio de janeiro, IBGE, 2019.

IBGE, Diretoria de Geociências, Exército Brasileiro, Diretoria de Serviço Geográfico. Perfil de metadados geoespaciais do Brasil: perfil MGB 2.0. Rio de Janeiro: IBGE, 2021.

ISO 19157:2013: establishes the principles for describing the quality of geographic data (completude; consistência lógica; acurácia posicional; acurácia temática; acurácia temporal; e usabilidade);

ISO 19115: Metadados geográficos